MATERIA SINDASP

Reportagem publicada na revista Reporter SINDASP ediçao nº 22 de 2002

Metodologicamente correto.

Despachante aduaneiro mostra como organizar documentos exigidos pelo Decreto 646.

Cumprir as exigências relacionadas ao artigo 11 do Decreto 646 é um dos maiores desafios tanto para as empresas quanto para os despachantes aduaneiros e suas respectivas comissárias. É que a lei determina um prazo de cinco anos para arquivamento obrigatório de todas as negociações feitas com o exterior.

Quem deu uma solução prática e metodologicamente correta para esta exigência foi o despachante aduaneiro Roque Seoane Diegues, que além de entregar os originais aos clientes, também passou a encadernar anualmente os volumes dos processos de cada cliente, montando assim uma pequena biblioteca. Não bastasse isso, e para garantir segurança para si e para a clientela, ele também fornece uma cópia encadernada para que tenham sempre à disposição, caso algum original estravie nos departamentos internos da empresa. O mesmo é feito também com as guias de honorários destinados ao trabalho desta classe.

Apesar de possuir formação em Química e Comércio Exterior e de ter trabalhado por 18 anos nesta área como ajudante de despachante aduaneiro, Seoane não atribui a isso o fato de ser extremamente organizado. "Este hábito de querer tudo organizado parece ter nascido comigo", explica acentuando não ter recorrido a nenhuma literatura específica. As leituras que tem feito nos últimos anos são basicamente ligados ao equilíbrio pessoal, à otimização e ao estímulo das habilidades pessoais, bem como à valorização do dinheiro e de sua empresa na vida moderna. Esta literatura ele faz questão de permutar com seu quadro de funcionários (veja relação).

Organização e poder

A importância deste arquivamento não deve ser ignorado em momento algum. E justamente pelo prazo estabelecido, tal responsabilidade precisa ser empregada com todo o rigor. Para Seoane, esta exigência e seu devido cumprimento é uma das provas do nível de responsabilidade do representante legal do contribuinte e é desta forma que ele se apresenta nas alfândegas, exigindo respeito à lei e à ele como profissional que atua mediante procuração outorgada pelos importadores. 

A seu ver, desorganização, má apresentação e descuido com o que pede a lei tem sido o motivo de aplicação de punições perante a lei. As recomendações do despachante e empresário para os colegas da área são um alerta, porque tal desatenção além de fragilizar a imagem da categoria, reforça uma prática de perseguição feita a estes profissionais junto às alfândegas. "De um modo geral os despachantes aduaneiros não são bem vistos pela fiscalização, que não consegue ver nesta categoria um colaborador e importante contribuinte -indireto- na arrecadação de impostos". 

Crítico com relação ao tratamento oferecido aos despachantes aduaneiros, Seoane cita as greves como um dos principais exemplos de poder e descaso para com o contribuinte. "A Receita Federal pára e não é punida, as armazenagens são cobradas e o importador, que é o que contribui com os impostos, arca com os prejuízos". Em virtude dos desacertos cometidos pela Receita Federal, o contribuinte passa a ser sempre a vítima quando não lhe cabe culpa ou erro. 

A seu ver, esta é apenas uma mostra da lógica que predomina neste setor, comprovando a inversão de valores. Não à toa, Seoane tem em frente à sua mesa um óleo sobre tela de Aragaki (1992), no qual a cena de uma tourada serve para mostrar o que cotidianamente o despachante aduaneiro precisa fazer no âmbito da alfândega, ou seja, tourear os problemas que lá são criados.

Administração de si mesmo

Seoane acredita racionalmente na força do pensamento, pois quando este é organizado, o trabalho tende a dar certo, bem como somar forças para a resolução dos problemas diários. "Se você quer algo e tem o poder de mentalizar o quadro desejado, com o tempo o mesmo tende a realizar-se, desde que haja perseverança. Prova disso são os 39 anos de vida de sua empresa, a Comissária Paulistana Despachos Aduaneiros Ltda. Para ele, as pessoas exteriorizam aquilo que são, motivo pelo qual precisam ser organizadas. E isso começa com as menores coisas do dia-a-dia. 

Neste sentido, Seoane pode ser citado como exemplo. Em sua casa tudo sempre está bem organizado, da roupa aos seus estratos bancários. No escritório nem é preciso dizer. Uma extensão disso pode ser vista no hábito que ele tem de colecionar, por exemplo, as revistas de seu time de futebol -o Corinthians- bem como xícaras de café com logomarcas de empresas. 

A organização passa também pela ideal administração e pelo equilíbrio nos gastos e nos investimentos. Uma dica de Lair Ribeiro com a qual se identifica e que recomenda é a de que "não se deve gastar tudo o que se ganha, porque quem faz isso, um dia vai gastar aquilo que não ganha". Considerando sua carteira de 30 clientes como algo fundamental em sua vida, procura transmitir isso para seus funcionários, permutando com eles todas as vitórias. "Aqui na Paulistana, cliente não fica esperando, pois permutamos informações diariamente para que possamos atendê-los à altura". conclui Seoane, enfatizando que a escolha determina o trabalho e o trabalho mede-se pela qualidade.


Seoane: Despachante precisa tourear problemas nas alfândegas todos os dias Método: Encadernação e arquivamento garantem a qualidade do serviço e da fiscalização

Integração: Equipe da Paulistana sabe tudo o que ocorre com a carteira 
de clientes


Organização pessoal 

Seoane acentua sua tendência à organização empresarial, recorrendo a leituras relacionadas à organização pessoal. Veja abaixo algumas dicas. 

1. A energia do dinheiro: estratégias para reestruturar sua vida financeira, de Glória Maria Garcia Pereira. Editora Genti, 2001.

2. Alegria e triunfo, de Lourenço Prado. Editora Pensamento, 1995.

3. Feng Shui no trabalho: como organizar seu escritório para obter sucesso, de Kisten M Lagatree. Editora Campus, 1999.

4. O poder do dinheiro, da Editora Martin Claret.

5. Cura-te a ti mesmo: terapia real, de Tikumagawa Hiroshi. Editora Madras, 1998. 

6. Prosperidade: fazendo amizade com o dinheiro, de Lair Ribeiro, Editora Objetiva.

7. O sucesso não ocorre por acaso, de Lair Ribeiro, Editora Objetiva.

8. O maior vendedor do mundo, de Og Mandino, Editora Record.

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